A estiagem de quase três meses no Nordeste tem agravado o desabastecimento de água na maioria dos municípios. No interior do Ceará, milhares de moradores dependem exclusivamente de carros-pipa, que custam a chegar.
Antes que a maioria da população acorde, o caminhão-pipa precisa ir para a estrada. São mais de 40 quilômetros para buscar, no município vizinho, a água que vai abastecer toda a área urbana de Quiterianópolis, no interior do Ceará. A cidade tem rede de abastecimento, mas a água vem de um açude, que também recebe esgoto. Por causa da seca, há mais sujeira do que água, e a companhia de saneamento básico do Ceará diz que não consegue um tratamento eficiente.
O baixo nível da barragem, agravado pela falta de chuva, com o acúmulo de todo o esgoto que está correndo direto para o açude, comprometeu o abastecimento da cidade. Agora, todos os moradores não têm mais água própria para o consumo nas torneiras.
“O cheiro é de esgoto", compara a agricultora Maria de Araújo. “Depois que começou a faltar chuva, aí a barragem só vai secando, só vai secando e vai ficando assim."
O caminhão faz quatro viagens por dia, mas os 120 mil litros que ele busca são insuficientes para quase sete mil moradores.
"Do tempo que começaram a botar água na cidade, ainda não veio pipa aqui para nós. Por hora nós estamos comprando", conta o agricultor Francisco da Silva.
E pagando caro.
"Trezentos reais o pipa de água. Vem de Assunção, no Piauí”, revela a dona de casa Marta Alves.
Seu Laurindo só dispõe de R$ 20 para comprar 160 litros que precisam render a semana inteira para a família de quatro pessoas. "Se não pagar, morre de sede", afirma.
Até no hospital a água só chega uma vez por semana. "A gente pede o abastecimento dos caminhões-pipa. A gente tem esse procedimento, principalmente para questão da alimentação", explica a diretora administrativa do hospital, Amanda Vieira.
Nas escolas, uma dura lição de racionamento para os alunos.
“Às vezes demora para chegar água para a gente beber na escola. A gente tem que trazer água de casa para trazer para a escola, para beber, porque não tem nem para os professores", avisa a estudante Samara Cardoso.
“Passo o dia sem beber água mesmo”, acrescenta o estudante Gabriel Melo Lima.
"A única esperança é chover, e que nossos mananciais possam absorver muita água, e a gente ter uma situação pelo menos reduzida para o ano que vem", conclui a coordenadora da Defesa Civil, Sandra de Souza.

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